Quando chegamos em um novo país, indiscutivelmente nós gostaríamos de poder viver, pelo menos alguma experiência genuinamente local, visitar algum local que não esteja cheio de turistas, poder estar perto do cotidiano do país e não vê-lo por trás de uma aparência plastificada, que muitas vezes é a única que nos oferecem. Se tem uma coisa que nunca gostei nos blogs de viagem em geral, é que, por mais que falem em primeira pessoa, nunca deixam de citar uma vez ou outra um lugar comum. É muito comum que te falem dos lugares mais famosos, dos panoramas de que todo turista deve visitar, mas pouquíssimas vezes nos falam daqueles lugares que significam alguma coisa pra eles e que, poderiam se tornar significativos pra nós também. Por isso, gostaria de te contar sobre as coisas que eu gosto no Chile, essas coisas que saem do meu mundo imaginário, mas que sem dúvida existem, pelo maravilhoso fato de eu ter nascido aqui.

1) Seja um chileno, mas tomando uma abundante “oncecita”: Se você está em um apartamento alugado, não perca a oportunidade de tomar um autêntico “once” a la chileno, que é como eles chamam o nosso famoso cafezinho da tarde, onde tomam chá, acompanhado com pães e bolos. Existem pessoas que trocam o jantar pelo “once” mais reforçado, incorporando parte da comida que sobrou do almoço. Você só precisa ir até um supermercado e comprar chá (o Chile é um dos maiores consumidores de chá do mundo), pão, especialmente o “marraqueta”, ovos (para fazer ovo mexido) e claro, não poderia faltar a palta, que conhecemos como o abacate avocado, que deve ser amassada, para depois passar no pão e colocar um pouco de sal. O avocado chileno tem o sabor bastante diferente do que é consumido no Brasil, por isso, se está no Chile, é indispensável que prove. Agora, se você está em um hotel, posso te recomendar os deliciosos onces a la chileno do Café La Candelaria (Avda Italia 1449, Providencia)

2) Toma todo Carmeneré que puder, e apaixone-se!: Passaram quase 23 anos desde que o ampelógrafo francés Jean Michel Boursiquot caminhava em um vinhedo, do que se acreditava era da uva Merlot, no Valle do Maipo. Ao olhar fixamente para uma de suas folhas, fez um descobrimento que o deixou surpreendido: não se tratava de Merlot, mas sim de Carmenere, uma antiga e extinta uva, originária de Burdeos, e que tinha sido destruída pela filoxera. Esse momento marcou o início de uma vontade conjunta de muitas bodegas de fazer dessa uva, um dos selos do nosso país. Mas, por que o Carmeneré é um vinho para se apaixonar ou se re-apaixonar? A razão é muito simples… é um vinho suave e redondo em boca, parece mais amável do que as outras uvas, o que o deixa mais fácil de tomar mas, no entanto, possui o mesmo teor alcoólico que as demais. Contem-se a vida de novo, planejem o que está por vir, ou somente atrevam-se dançar como no princípio, porque o Carmenere deixa-se beber, infinitamente!

3) Compra um livro de Neruda, em seu idioma original, em sua própria terra. Quando fui à Portugal, percorri todas as livrarias da cidade, tentando encontrar “Viagem à Portugal”, de José Saramago. Mais além da minha admiração por ele, entendia que a tradução em si sempre implica uma perda e, além disso, a melhor homenagem que eu poderia fazer à minha viagem à Portugal, era honrar um de seus memoráveis filhos. O mesmo acontece com Chile e Neruda. O poeta do povo é uma chama acesa nos corações de todos aqueles que amam a liberdade da nossa terra, e em si mesmo, é pura identidade. Te recomendo sua obra de caráter autobiográfico, “Confieso que he vivido”. Como o português e o espanhol são línguas irmãs, são facilmente compreendidas, além da possibilidade de aprender novas palavras que podem ser úteis.

E você? Qual experiência única viveu no Chile, que gostaria de compartilhar?

:·)

Deixe o seu comentário: