Santiago do Chile em guerra contra o comércio ambulante.

 

Não podemos negar que todos já fizemos alguma vez, ou tivemos a tentação de fazer; é que nos dias de hoje, comprar no comercio ambulante se transformou na possibilidade de realizar uma transação comercial rápida e com baixo custo, o que muitas vezes nos vemos obrigados pelo nosso orçamento ou pelo no ritmo de vida agitado.

 Devo confessar que uma vez já fiz, mas a experiência foi suficiente para nunca mais fazer de novo. Um kit de filmes do meu diretor de cinema favorito nos meus dias de estudante, prometia ser a opção perfeita de oferta, compatível com meu orçamento baixíssimo. Mas claro, o barato custa caro, e enquanto as pipocas estouravam no microondas, me dava conta que os discos, todos sem exceção, estavam vazios. Senti um impulso de reclamar, ma, à quem?. “Vou voltar no lugar onde o encontrei”, pensei, mas todos sabemos que, além de perigoso, é completamente inútil. Então aprendi a lição. Ninguém protege o consumidor que compra no comercio informal.

  Essa observação simples, que pode parecer muito óbvia, é que não levamos em consideração, cada vez que compramos nesse tipo de comércio, porque essa frase determina a natureza dessa classe de negócio. Quem vende, sabe que quem compra não tem ninguna garantia, por isso mesmo, nos oferecem um produto que, (ambas partes sabem), quase sempre é de péssima qualidade. Ou por acaso, alguma vez comprou algo na rua, pensando que iria durar a vida toda?

Já vimos essa mesma situação se repetir com todo tipo de produtos e serviços, por exemplo, com passeios turísticos. Muito tristemente pudemos ver como os últimos anos se proliferaram os vendedores ambulantes oferecendo passeios turísticos por preços que são impossíveis, e que uma empresa que cumpre com todos seus compromissos e deveres legais não poderia oferecer. Desse tipo de ofertas surge, como podem imaginar, todo tipo de experiências. Passeios deficientes, veículos lotados, sem seguros de proteção ao passageiro, guias sem nenhuma capacitação e no pior dos casos, passeios que não chegam a acontecer nunca. Então, aqueles turistas, que ingenuamente pensaram que teriam “o melhor passeio de sua vida” por um preço que está mito abaixo do valor de mercado, fazem a mesma reflexão que eu fiz anos atrás. A diferença é que já não se trata de um kit de filmes, se trata de que, para muitos, é a viagem da sua vida.

 Por isso mesmo, os principais municípios da cidade de Santiago do Chile, Providencia e Santiago, se mobilizaram em pro de educar aos consumidores e desincentivar a compra desse tipo de comércios, com a finalidade de poder regular a qualidade da oferta, limitando a demanda e que aqueles que comprem, o façam amparados pela garantia e pelo direto de reclamar. No caso de Santiago, existe fiscalização permanente nos locais nos quais se detectam esse tipo de atividade, e enormes informativos colados nos postes de luz, onde alertam sobre os perigos de comprar no comércio ambulante e incentivar esse tipo de prática ilegal. Providencia, em contra partida, bairro modelo e top em qualidade de vida, foi ainda mais além, aplicando multas caríssimas não somente àqueles que vendem, como também, àqueles que compram. É assim como, desde 1 de agosto del 2018, aquele óculos ou aquele passeio para cordilheira que comprou pensando que tinha feito negócio incrível, poderia te custar o altíssimo valor de até 5 UTM (aproximadamente 238.000 clp ou 396 usd).

  Mas não somente vender produtos na via pública sem a permissão adequada é ilegal, mas também oferecer e entregar publicidade para fazê-lo. “Panfletar” ou entregar propaganda requer uma permissão municipal e também é um delito. Como turista, cada vez que me deparo com esse tipo de produtos oferecidos na via pública, grande maioria das vezes me pergunto de maneira insistente, por quê alguém que opera de costas à legalidade, vai querer me oferecer um serviço ético e de qualidade? Por quê precisa vender seu produto na rua? E finalmente, alguma da minhas marcas favoritas, já ofereceu seus produtos assim alguma vez? Com certeza não. Então, por quê se arriscar com algo tão importante e planejado como uma viagem, e ainda mais, em um país desconhecido?

 

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